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sábado, 30 de junho de 2012

Al-jubb de Olinda



Marcelo Lins

Os quase setecentos anos de presença mulçumana na península Ibérica deixaram vestígios marcantes na cultura e na língua falada tanto na Espanha como em Portugal. Palavras como almofada (al-muhaddâ), argola (al-gulla), taça . (tása), tambor (at-tanbúr) ainda de uso corrente na língua portuguesa, outras, no entanto, como aljube (al-jubd), não só tiveram seu significado original modificado, como perderam o uso no vocabulário corrente do dia a dia.

Aljube de Olinda, segundo desenho de Manuel Bandeira para a edição do livro Olinda – 2º. Guia Prático, Histórico e Sentimental de Cidade Brasileira, de Gilberto Freyre, publicado no Recife em 1939.

terça-feira, 8 de maio de 2012

E fez frio no Recife!



Marcelo Lins

Quem assistiu ao divertido curta-metragem de Kleber Mendonça Filho Recife Frio deve ter dado boas risadas com as situações inusitadas vividas pelos personagens, habitantes de um Recife tropical assolada por uma misteriosa onda de frio, com direito a pinguins, casacos de frio, muito queixo batendo e até mesmo neve.

Se para os recifenses da vida real, qualquer temperatura entrono de 22º Celsius já é considerada frio, e abaixo de vinte entram em cena casacos e até alguns cachecóis, imagine algo em torno de 11 graus!

Rua do Livramento 

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Soldados Pernambucanos nas Malvinas


Marcelo Lins

Calma, Calma! Não tem nada haver com o imbróglio entre os nossos hermanos do sul e os súditos de dona Elizabeth, a segunda. Nem mesmo pretensões territoriais pernambucanas. Afinal, ficaria estranho entoar Salve a terra dos altos coqueiros naquele pedaço de rocha árida perdido no meio do atlântico. Bem... vamos aos fatos. Em meados de 1775, chegam a Pernambuco as primeiras notícias sobre a sumaca [pequeno navio de dois mastros] que estava desaparecida desde outubro do ano anterior, quando perdeu-se da frota que saindo do porto do Recife levava parte do regimento de infantaria do Recife para o Rio de Janeiro.

Plano de las Yslas Malvinas, século XVIII. Biblioteca Nacional.

sexta-feira, 30 de março de 2012

As facas do Pasmado


Marcelo Lins
Em sua obra O Matuto (1878), o romancista cearense Franklin Távora faz uma descrição da pequena vila do Pasmado duas léguas ao norte de Igarassu, na estrada de Goiana:

segunda-feira, 12 de março de 2012

O Pasmado


Marcelo Lins
Seguindo do Recife para o norte pela BR-101, pouco depois de Igarassu, podemos ver a pequena igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem do Pasmado às margens da estrada, no ângulo formado pela BR e a PE-041 que segue para os municípios de Araçoiaba e Carpina. Quem pergunta-se admirado, o que faz aquela igreja solitária, no meio do canavial, com as costas voltada para a estrada? Pasmado ficaria com a resposta.
A primitiva capela de Nossa Senhora da Boa Viagem foi construída no início do século XVIII ou fins do XVII.  Era o centro do antigo aldeamento indígena que deu origem ao povoado do Pasmado. Em 1748 Borges da Fonseca no seu Nobiliarchia pernambucana, escreve sobre João César Falcão, morador do Pasmado.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Tem gringo na “folia”! - Henry Koster


 Marcelo Lins
A bem da verdade, o termo gringo do título acima não se aplica de forma categórica ao inglês Henry Koster. O Filho do comerciante inglês John Theodore Koster, nasceu na cidade de Lisboa em 1793. Aportou no Recife em 7 de dezembro de 1809, a bordo do navio Lucy, vindo de Liverpool, para tratar a tuberculose que o afligia.
Criado entre Lisboa e Liverpool, Koster fugia do estereótipo do viajante estrangeiro em terras estranhas.  Falando português fluentemente, e segundo suas próprias palavras língua que me é mais familiar que a do meus país[1]. Inicialmente, estabeleceu-se no Recife, onde engajou-se ativamente na vida social e cultural da cidade, cultivou várias amizades e participou até da política local. Sentia-se tão à vontade, chegando mesmo a afirmar:  A Inglaterra é a minha pátria mas o meu país natal é Portugal. Pertenço aos dois, e na companhia de ingleses, portugueses ou brasileiros, sinto-me igualmente entre patrícios.[2]


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Tem gringo na “folia”! - L. F. de Tollenare


Aproveitando estes dias que antecedem as festas carnavalescas, achei interessante trazer os relatos de alguns viajantes estrangeiros do século XIX, e suas impressões sobre as festas momescas.

O primeiro deles, o comerciante e industrial francês Louis François de Tollenare-Gramez, simplesmente L. F. de Tollenare, como é mais conhecido.  Nascido na cidade de Nantes, em 4 de abril de 1780 e falecido na mesma cidade a 25 setembro 1853,  Tollenare chegou ao porto do Recife em 13 de janeiro de 1816. As guerras napoleônicas haviam afetado substancialmente seus negócios e dificultado a importação de algodão das ex-colônias inglesas da América do Norte. Sua vinda ao Brasil tinha como objetivo buscar novos fornecedores de algodão, como parte de uma sociedade estabelecida com o conde du Fou, François-Marie-Bonaventure du Fou (1765-1833), prefeito da cidade de Nantes e seu primo pelo lado materno.

 Jogos durante o entrudo no Rio de Janeiro,  Earle, Augustus, 1793-1838.
aquarela,  21.6 x 34 cm. (c.1822)
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